38,9% dos celulares brasileiros já têm um app de IA instalado
Levantamento com 1 milhão de smartphones encontrou apps de IA em 389.865 aparelhos. ChatGPT lidera com 23,7% — e a concentração em 5 marcas fecha a janela para genéricos.
Quase quatro em cada dez celulares brasileiros já têm pelo menos um aplicativo dedicado de inteligência artificial instalado. O dado é de um levantamento da Mintech — datatech especializada em coletar, tratar e modelar dados extraídos diretamente de smartphones — que analisou uma base de 1 milhão de aparelhos e encontrou apps de IA em 389.865 deles, ou 38,9%.
Os dados foram coletados em março de 2026 e divulgados em junho — ou seja, retratam o momento da pesquisa, não uma manchete do dia. Ainda assim, o retrato é consistente o suficiente para responder a uma pergunta que interessa a qualquer founder: a IA já saiu do ambiente corporativo e virou hábito de consumo no Brasil?
A resposta, pelos números, é sim.
Quem mediu e como
Diferente de pesquisas por questionário — em que o respondente declara o que lembra de usar —, o trabalho da Mintech observa o que está de fato instalado no aparelho. A base analisada foi de 1 milhão de smartphones brasileiros, e a presença de aplicativos dedicados de IA foi identificada em 389.865 deles.
É um recorte diferente do "você já usou IA?" das pesquisas de opinião. Instalação não é uso diário, mas é um degrau acima da intenção: o usuário foi à loja, baixou o app e manteve no celular.
A concentração em cinco marcas
O ranking de presença nos aparelhos analisados mostra um mercado já concentrado:
- ChatGPT — 23,7% dos celulares
- Gemini — 8%
- Copilot — 1,6%
- DeepSeek — 0,8%
- Grok — 0,6%
Também aparecem no levantamento, com fatias menores, aplicativos como Bard, Claude, Codex, Grok Beta, Grok Beta Premium, Manus e Perplexity.
A leitura mais importante não é a liderança do ChatGPT — esperada —, mas a distância entre o primeiro e todos os demais. O líder tem quase três vezes a presença do segundo colocado e quase quinze vezes a do terceiro. Na prática, a disputa pelo assistente genérico no celular brasileiro já tem dono.
Do escritório para o bolso
Para o CEO da Mintech, Gustavo Cruz, os números mostram que a adoção da IA deixou de ser uma prática restrita ao ambiente corporativo e passou a ocupar espaço no cotidiano digital da população. O smartphone, na avaliação dele, se consolida como o principal ponto de contato entre usuários e as novas tecnologias.
O levantamento reforça uma segunda tendência: a predominância de assistentes conversacionais e de soluções de IA generativa transforma a interação digital em interfaces orientadas por linguagem natural — integradas à rotina de trabalho, estudo, consumo e busca por informação.
À medida que mais usuários incorporam IA ao celular, cresce também a demanda por serviços personalizados e experiências automatizadas, aponta o estudo.
O que um founder brasileiro faz com um mercado concentrado
Um mercado com 38,9% de penetração e concentração em cinco marcas parece fechado — e, para assistentes genéricos, provavelmente está. Mas a mesma foto que mostra a concentração mostra a oportunidade:
- Não compita com o genérico. Um novo "ChatGPT brasileiro" nasce disputando com um app já instalado em um quarto dos celulares do país. O custo de aquisição para tirar o usuário do hábito estabelecido é proibitivo.
- Verticalize com dados próprios. O público que já instalou um app de IA está educado — sabe o que esperar de uma interface conversacional. Apps de nicho (saúde, finanças, agro, jurídico) chegam a um usuário que não precisa ser convencido da categoria, apenas do caso de uso.
- A tela inicial já tem IA; falta contexto. Assistentes genéricos não conhecem o estoque da sua loja, a agenda da sua clínica ou a safra do seu cliente. A camada que falta é de contexto proprietário — e é onde um produto vertical ganha.
Conclusão
O levantamento da Mintech marca um ponto de inflexão silencioso: a IA no Brasil deixou de ser novidade de escritório e virou aplicativo instalado no celular de quase 40% da população. Para quem constrói produto, a pergunta mudou — não é mais "o usuário vai usar IA?", e sim "por que ele abriria o seu app em vez do que já está instalado?". A resposta quase sempre passa por dados que o genérico não tem.
Fonte: TI Inside — "Apps de IA já estão presentes em 38,9% dos celulares brasileiros" (03/06/2026). Dados coletados pela Mintech em março de 2026 sobre base de 1 milhão de smartphones.

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